sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sexta treze











*Cristiano Silva Rato


PRÓLOGO


Do que você tem medo?
Do que você tem medo?
Do escuro...
Do que você tem medo?
De animais... Mas acho que não é medo, é repulsa.
Deixa pra lá, se não quer responder, não responda.
O que?
É isso, você sabe do que estou falando.
Hã! Pare de sussurrar.
Eu não disse nada.
Você é doido.
....
....
Ora, já chegamos.
É mesmo.
Até mais
Até
Um beijo...
...
Eu não acredito!
Você de novo.
Como assim? Eu estava aqui primeiro.
Você está me seguindo! (risos)
Já disse que estava aqui primeiro
( )
Do que você tem medo?
... ...
Tá bom! Não precisa responder.
Eu já te paquerei?
Eu não sei...
Droga! Então não me expressei direito.
Hã! Pare de sussurrar.
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Capítulo I

Avareza


Não quero denunciar as incertezas,
quero falar
de uma moça, de um fio,
do tecer o dia, do extraviar.

Aqui e ali, não quero... avisar,
quando anda, como gosto de te ver,
espero na esquina, ou noutro lugar,
Mesmo que na noite não tenha ainda um luar.

Sou verso perdido na roda,
A tecer fios, que sempre brotam,
A luz da lua, escondida no dia.

Sempre pura, a impura luz,
Na nudez do sentido, me aprisiona,
E quem tem a chave vira o rosto quando chamo...
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Capitulo II

Um poema de amor

Tortura nas tardes, hora marcada,
os terços, nunca inteiros, vagos,
Olhos ternos, olhos, a guiar e enfeitiçar,
destruindo o imaginário.

Perto de ti
os versos fluem no silêncio,
inconscientes os olhos te encontram,
as canções brotam no vento.

Seus olhos se desviam,
vago, meu olhar, procura o ar,
aprecia então seus lábios.

O desejo me espanca,
quero provar, degustar,
esquecer... as so-m-bras.
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Capitulo III

Meu sonho


Hipnotizados, seguem seu sorriso,
Há olhadelas, um olhar adormece,
Seu rosto sempre a desviar,
Sua boca sempre a me chamar,
Perco o sono, perco as ruas,
Como se a lua fosse sempre madrugadas nuas.
O sonho vem,
O olho aberto,
As imagens se formam,
Chamo por ti,
Meu suor se espalha, a pele treme,
O sorriso vaga,
Seus cabelos soltos, inconsciente,
Sua boca,
Seus olhos,
Meu sonho.
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Capitulo IV

Uivos


O odor massacra meu olfato
Dia após dia eu sinto o paraíso,
Não sei se estou vivo,
meu corpo se sente viúvo.

A guitarra chora,
não sabe o que fazer,
para te agradar,
esperar a lua, poder uivar.

Paixão, não sou cantor de blues,
Mas a agonia me representa bem,
amanhecer freguês da dor.

Não olhe para mim,
Agora sou fardo, safado, angustiado,
O canino na morte cravado.

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Capitulo V

Nessa volta


Comporto
desse modo escroto,
Arroto
súplicas ao ódio
sinto
cada manhã um lixo
ouço
a rua, um mendigo sujo
Luxo
A morte e um caixão
Fujo
no tempo da paixão
Enlouqueço
mas sempre esqueço
Mexo
nas feridas cedo
iludo
espero um beijo

Encarno o bem e o mal
...

*cristpsilva@gmail.com