quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A aranha pernalta











Joaquim Moncks*

Cabecinha atômica de oito anos, Laura é tão tinhosa e ágil, que até a sua assinatura tem patas compridas. Verdadeiras pernas-de-pau só pra ver o mundo de cima.

Por isso, sempre que ela cria um poema – o retrato do que sente – palavras saltitam de alegria. A emoção é tanta que o papel fica todo rabiscado de patas. Sua garatuja parece uma aranha.

E o tio, sem graça, faz cócegas na barriga. Não na sua, mas na da aranha. Ela, a Lauranhinha, se aninha na teia da tarântula.

É andarilho o poema cheio de patas. A palavra nunca tem meinhas, mas não sente frio, porque também é aranha pernalta.

Patas pra arriscar o mundo.

– Do livro "Alma de perdição", 2009.
Publicado também no
Recanto das Letras.

*joaquimmoncks@gmail.com