segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Cap I - Magna Carta: grande carta que limita e liberta a vontade do homem pela razão











*Cristiano Silva Rato

Dedico a ti. Por não entender...
Ibirité, 7 de novembro de 2009.


A intensidade do sentir está entrelaçada não com a quantidade, mas com a diversidade das percepções. Caiu a noite, as estrelas começaram a despontar suas atrasadas luzes no céu. Durante todo o sempre, um momento, seus lábios pediram meus olhos, e o descaso, perseguindo o rastro das pegadas, era só ocasião que confirmava a verdadeira identidade das nuvens pueris.

Deu 18h e o telefone não havia ensaiado o grito de alerta. Meu coração acertava furiosamente os ossos contraídos do peito. A serra despontava no horizonte, rasgando suas cores vermelhas, laranjas e o pôr do sol. Depois de comprimir meus olhos, fui instigado a uma impressionante atenção dicotômica. Em um breve lampejo, segui avidamente na direção de outros amigos, os quais ansiavam por um escambo de ideias.

Numa segunda tentativa de repetir as cenas anteriores, junto a um segundo elemento, mal trajado, pouco portado e cabeludo, falhei e encontrei o que ansiava no vazio. Mas não é disso que se trata esse momento, isso é posterior. A malha da noite perdurava pelas horas. Ora! Não serei exagerado, nunca soube diferenciar hora a mais ou a menos, mas tenho certeza, duas horas haviam se passado. Um estrondo perseguiu a densidade, enquanto o bonde circulava o caminho que fiz, por vezes, e pretendo multiplicar.

Vestia a primavera. Sai às pressas do esconderijo secreto, o maltrapilho sorriso não escondia, respirava vida. Enferrujado, fiquei sim, com o puxão de orelha, mas a culpa, essa eu não tinha. O individuo com porte nenhum, digo ser o verdadeiro empecilho daquela ocasião. Mas, águas passadas e futuras também constroem histórias. Não fatigarei meu fiel e impaciente confidente com essas lamentações. Estranhamente, continuava a escutar os diferentes ruídos, naturais e artificiais, o último sobrepondo o anterior. Rompeu assim a trava do portão.

Um tango ecoa nos movimentos, nos balanços e contornos, enquanto eu, pasmo, balbucio pensamentos sem pudor. “Seu cabelo lembra uma dança.” O elogio ganha significado, quando seu signo é um sorriso. É de se espantar as coisas absurdas que uns e outros dizem para impressioná-la, enaltecê-la. É preciso anos de desafiantes estudos e acumulação de vídeos. Ou ainda, é preciso andar ao encontro da dança, em último e desesperado caso, até mesmo aprender a dançar. Mas nenhuma das alternativas anteriores é exata em relação à minha procedência. Livros sobre nossa história são raros e o resto não aparece em nossas mãos.

O sono me atém à madrugada. Quando ele pede uma oração, o som da voz soa sarcástico, como se os timbres vibrassem ruidosos. Os flocos estouram no ar, tal show de rock, onde fanáticos uivam e berram sem parar. Em tudo damos um jeito, até no brigadeiro aventureiro. Os olhos se encontraram uma, duas vezes. A terceira vez, tudo se moveu, e a roda parou de girar.

“É estranho... Você não acha?”

“O que?”

“Isso...”

*cristpsilva@gmail.com