quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Desatinada memória











Joaquim Moncks*

Faz algum tempo incandesce
a alma dos aflitos
algum tempo
na memória das horas
algum tempo soletra
o inusitado
algum tempo solfeja o coração
e nos abafa.

Nestes suplícios
exorta-se a eternidade
e a alma voeja no cipó dos lampejos.
Tatuagens à flor
intemporais de pele e fogo
amadurecimento.

De tudo haverá apenas registros
à possessa revelia dos viventes.
O desatino de furtar-se ao instante
a construir perenidades.

Paz é tempo pra sonhar
e viver sem armaduras.

Entre o choro e o riso.

– Do livro Bula de Remédio, 2004/2009.
Poema publicado também no
Recanto das Letras

*joaquimmoncks@gmail.com