sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Insônia











Eduardo Sabino*

Um amontado de nós se embolando conforme se desenrolam as primeiras horas da segunda. É como se algo dentro de mim soubesse, mesmo sem querer, que a roda voltará a seu movimento constante, tão certo como os nós se multiplicarão na garganta. E você sabe, pensar nisso é se privar do sono ao qual tem direito a cada noite acordada em ti. E sabe mais do que queria sobre o despertar das pombas no sótão, ou sobre os passos do cavalo a rondar o quarteirão pela madrugada afora. Antes de sair andando, levado pelas próprias pernas, antes de encontrar qualquer rosto, você terá uma certeza: o espectro do sono estará em todas as imagens. E o movimento circular também trará as mesmas falas de ontem no ônibus, nas ruas e no escritório toda novidade terá as rugas de uma noite mal dormida.

*eduardosabino@caoseletras.com