segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ponto de parte ida











Larissa Minghin*

Do parto, parti.
E de duas partes partidas,
parte sou.

Hoje me parto.
Sou um monte
de partidas e pedaços,
parte idas e estilhaços.

Aos que chegam de partida,
levo comigo os pedaços,
partilho os cacos do passado,
me divido e entendo, remendo, acolho
e parto de novo.

Aos que fizeram parte e hoje ardem,
deixo um sopro-sorriso nos olhos,
e em minha alma-mosaico
deixo claro que parte ida é passado
e carinho também.

Não nomeio, não classifico o que a vida me empresta.
Junto tudo em mim,
descubro aos poucos quem são.
São partes partidas de outros,
partes de potes quebrados,
cacos sem pontas, cacos cortantes,
são pedaços, são partes partidas de portos desconhecidos.
Pés caminhantes.

Sou parte minha,
parte sua,
parte do que me deseja e me odeia,
parte da crise e do gozo,
parte do sistema, do esquema, da gema.

Sou parte minha, por isso me parto.

*laraminghin@gmail.com