quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Rola... Moça!











Cristiano Silva Rato*

O vento toca a montanha enquanto nossas almas se perdem na existência,
A cada ciência que é descoberta, mais uma parte, menos uma essência,
E as serras antes não tão terra, mas ferro serrando as estações,
Hoje limitam a lama que encobre a alma.

Ao fechar os olhos, Sócrates, recriminou-me e disse: Platão falará sobre ela.
As trevas encobrem a serra, mas a moça não deixou de gritar em seu eterno...
A moça rola, a moça grita, a moça suplica... Rola moça... rola moça... rola... moça...

O chão está sangrando, o vermelho que lhe é tirado.

Diga à moça que se cale... Pois suas terras são valiosas.
Tem nosso progresso em suas pernas... No ventre de quem vive e de quem olha.
Não sairemos daqui nem com súplicas, nem com lamentos...
Mesmo que chorem todos os filhos. Mesmo que grite: ROLA MOÇA...

A verdade está na selva em meio ao luar e ao descansar,
As serenatas dos pássaros livres já não são felizes.
Há um canto entalado de repúdio ao homem, o próprio dilúvio.
Na melodia ouve-se triste: rola moça... rola moça... rola... moça...

*cristpsilva@gmail.com