domingo, 21 de março de 2010

Baile de fim...











Cristiano Silva Rato*

Abriu as pernas e disse: vai fundo. O salão estava cheio. Não estávamos sozinhos e ela disse para ir fundo. Porra, quase não acreditei. Estava esperando a noite toda para dançar. E ela disse. Os passos também acertaram o andar. E estávamos vendo aquele espetáculo. As pernas bailavam num sussurro movimentado. Ainda as asas de um beija-flor, abatido, pelo tempo. Tudo se resumiu em mofado e rancoroso arroto. Batiam em todos os lugares, espaços centros e hipocentros, desesperados epicentros. E como a voz esburacada, sentia tudo que se pode sentir. Via tudo que se pode ver. Achava certo o que era falso. E falsificava. Como as imagens gentis das tardes e dos amores. E das palavras acenando compaixão. Bosta. Quebrei as cadeiras. O embate foi grande, tudo ao redor voou. As lâmpadas começaram a quebrar. E os postes a repetir as mesmas notas, em sua canção penada. Os sentidos, agora despertos, gritavam, sem parar. Quando as ondas passam, a ressaca fica. E as lembranças brincam.

*cristpsilva@gmail.com