sábado, 1 de maio de 2010

Identidade estrangeira











Cristiano Silva Rato*

Um composto define, indefinição,
Muitos ritmos, mitos, ritos,
muitas palavras, antes estrangeiras,
hoje vozes, não mais que passageiras.

Nomes a nomearam
e armas a sangraram,
Seus primeiros filhos, legítimos (para nossa História),
assassinados, extorquidos e estuprados.

Povos foram trazidos,
com peles negras, olhos puxados,
e alguns sobreviventes ficaram,
puxando carroças, foram misturados.

Quem tudo isso fez
tinha na vez, a identidade, na cor firmada.
Na caldeira misturou-se, pretensa, a perfeição.
As ideias dominaram, e as vozes escritas sobrepuseram.

Nomes na História forjaram,
sempre excluindo minha identidade híbrida, estrangeira.
Renegando os olhos e as peles, as vozes e as cores, a história misturada.
Um gentílico foi imposto. E um sobrenome cobrado.

Hispano-América, Ibero-América, até América do Sul,
Surgiram nomes como Indo-América e Afro-América,
Ressaltando, mais uma vez, um povo
parecido com um polvo, mas com os braços atados.

*cristpsilva@gmail.com