segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vaga-lumes











Carlos Augusto Demétrio*

O ateu saiu do quarto de madrugada, atravessou o corredor com pés de anjo. Chegou à sala de visitas, espiou pelo buraco da fechadura. Eles esperavam na varanda, as cabeças de vaga-lume. Seu nome, Deus, porque eram muitos. O ateu abriu a porta e conduziu-os à mesa de jantar. Tomaram vinho, comeram pão de alho, entre uma piada e outra, combinaram mais um encontro. Depois Deus partiu. Então o ateu lavou os copos em linha de água, limpou as migalhas, evitou o menor barulho. Na manhã seguinte, está sentado à mesa de novo, entre o filho e a mulher. A esposa pediu pela terceira vez o açúcar. O ateu desconectou dos sonhos, passou o açúcar para ela e citou uma frase de Maquiavel. Para começarem bem o dia.

*Carlos Augusto Demétrio é professor, revisor de textos e contador de histórias. Contato: carlosademetrio@gmail.com.