sábado, 5 de março de 2011

O Consolador




 






 

Cristiano Silva Rato*

Paranoia – Cap. 1 do livro primeiro.


Engraçado trabalharem meu canto. Na esquina afino o riso, rasgo o mau cheiro. Aperto sem perceber o beque em minhas mãos. Os olhares tentam se sobrepor. A onda. Os pés mexem, ouvindo a música seca das botinas, ao passarem como marchas esquecidas e hinos de guerra. Proclamo agora a nova república. Proclamo agora o novo reinado. Proclamo agora. O feudo moderno. Líquido. Simulado. Instituo nesse momento, por força da maioria, o novo formato já utilizado.

Parado, no ponto, observo um novo bêbado vomitando. A guerra já começou. As correntes começaram a arrastar-se demais. Tornaram-se lágrimas manchando murros. As ruas da cidade estão infestadas por todos os tipos de vigias. Nós somos o inimigo. Firo todos os dias, as notícias produzidas há mais de cem anos sentenciando nosso destino, escuridão. Passo pelo degrau. Escada abaixo. A mão se apóia, como se fizesse diferença com esse sangue escorrendo pelas veias. As ideias foram domadas. As imagens.

*cristpsilva@gmail.com